
Chega
Toada velha cansada
Atrás do fogo encantado
Nesse terreno sem cerca
Seca
Meu olho teu caldeirão
Teu colo meu oratório
Teu sonhos meu cobertor
Teu riso tem um corisco
Teu peito tem um trovão
É só a gente se ver
chove no meio do verão
Água que lava terreiros
(Oi que lava terreiros)
Oi que lava Janeiros, sertão
Eita mulher voadora
Misterioso pavão
O riso teu tem corisco
E o peito teu tem trovão
E os meus dois olhos bandeiras
Fogueiras clarão (São João)
Eia
Minha cumadre Fulo
Quero teu cheiro de mato
Tua passada invisível
Vivo
Na cantingueira da serra
Cheguei montado no vento
Poderes do teu feitiço
Uma Música deliciosa, pra dizer uma verdade absoluta do momento: Eu odeio o Banco Bradesco!!!!
Recentemente fui questionada sobre o gostar ou não gostar do fato de eu ser extremamente "sentimental". E sobre esse assunto eu queria dizer que não há o q gostar ou não, há apenas o que sou e ponto final.
Existem coisas em nós mesmos, que mesmo que tentemos, é impossível mudar. Sim, já tentei.Não porque não goste, mas por uma busca idiota por proteção.
Idiota sim, oras bolas. Porque afinal de contas, demonstrando ou não sentimentos, ninguém está protegido de coisa nenhuma.
A falta de equilíbrio as vezes me deixa com os pés fora do chão, suando frio frente à alguma coisa que eu disse ou fiz por impulso. E perco as contas de quantas vezes já quis enfiar minha cabeça num buraco pra nunca mais sair de lá, depois de perceber que meu sentimentalismo me fez de boba frente à pessoas que não mereciam.
Mas é essa mesma falta de equilíbrio que me permite por muitas vezes receber os abraços mais apertados e gratos dos amigos queridos. Que me permite ver no rosto de quem amo as bochechas rosadas pela falta de palavras.
É, eu queria ter mais o que dizer. Queria falar sobre outras coisas que não fosse esse bendito sentir. Mas o que fazer se vejo “flores” em tudo que olho???
Deixemos os dizeres “politicamente corretos” à minha amiga Carol. Ela fica com a parte racional, e eu me encarrego fácil da Emoção nossa de cada dia. Que me perdoem os que esperam mais... Mas é só isso (ou tudo isso!) que posso oferecer.
O que eu quero mesmo (pra vida inteira) é falar e falar e falar das coisas mais simples, e ainda assim mais importantes do nosso dia a dia. Quero definições, quero o sabor de cada sentimento, quero cor, largura e comprimento, quero a textura, e quero em intensidade máxima e singular. Mesmo que isso, as vezes signifique verter lágrimas, ou sorrir indevidamente...
Que eu busque e encontre as palavras certas pra falar das “coisinhas” mais meiguinhas, e das “dores” mais secretas e complicadas....
Ai eu estava pensando: Que não é tão mau ser assim sentimental.
Ruim mesmo seria não sentir...

O quanto eu te falei que isso vai mudar. Motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?!!...
Eu disse e nem assim se pôde evitar.
De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão... Pra se perder no abismo que é pensar e sentir.
Ela é mais sentimental que eu !!
Então fica bem... Se eu sofro um pouco mais.
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.
****
"Só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos."
(O Pequeno Príncipe)

E eu quero beijos intermináveis até que os olhos mudem de cor...
Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se, ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo à vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando, clínico
Da triste solidão, à rubrica

Pro companheiro diário das tardes tediosas em q quase morro nesse trampo... Márcioviski!!!!!!!!!
Letra belíssima, e intelingentemente escrita... Poesia pura. Com pitadas de melancolia, pra acompanhar esses dias frios...
Não escreverei sobre ausências.
Ausência é bandeira de nada.
É ter partido
em direção de um país sem lodo nem lama.
Onde a identidade se faz de afeto.
E a dúvida é poço entreaberto
e o coração um fruto de semente madura.
Ausência é só lembrar, é só lembrar!
Ausência é só lume de esquecimento.
É só limo de eternidade.
É só flor de certeza e agonia.
Só o corpo impedido, só surdo desejo,
só pele mudada em terra,
só tempo feito areia.
Ausência é só lembrar, é só lembrar!

(Um poeta a mais pra minha listinha...)
