
Viajante (Ney Matogrosso)
Eu me sinto tolo
Como um viajante
Pela tua casa
Pássaro sem asa
Rei da covardia
E se guardo tanto
Essas emoções
Nessa caldeira fria
É que arde o medo
Onde o amor ardia
Mansidão no peito
Trazendo o respeito
Que eu queria tanto
Derrubar de vez
Pra ser teu talvez
Pra ser teu talvez
Mas o viajante
É talvez covarde
Ou talvez seja tarde
Pra gritar que arde
No maior ardor
A paixão contida
Retraída e nua
Correndo na sala
Ao te ver deitada
Ao te ver calada
Ao te ver cansada
Ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera
Também receber
E quebrar as cercas
Com que insistimos
Em nos defender

Eu havia postado a poesia inteira do Drummond "O caso do Vestido", es especial pra um amigo que não a conhecia. Achei por bem tirá-la... e não existem porquês. Mas queria dizer que, pra mim, ela é bela pela mensagem, e pela beleza, e pela simplicidade. sentimento puro, e uma verdade indiscútivel: "o mundo dá tantas voltas".
"O barulho da comida
na boca, me acalentava,
me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito
de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada."
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Não quero mais encenar meu papel
Fingindo aceitar decisões que os fatos tomam por si só
Não aceito!
Quero os fios do acaso em minhas mãos
Quero supervisionar
Cansei de ser atriz
Quero escrever de vagar
Uma história tranquila e de final feliz!

Um dia, ele desistiu.
Deitou-se exausto na cama, e decidiu que aquele era o melhor lugar do mundo para passar o resto dos seus dias. E apagou a luz, colocou um som ao fundo e ficou torcendo para que uma chuva começasse a bater na sua janela.
A chuva não caiu, nem a lágrima guardada, contida...
Mas o sono veio, sem muito sonhos, e sem a calma costumeira.
Foi um sono leve, como a única lágrima derramada assim que o dia amanheceu...
"Se você perdeu agora a ilusão
De que os fatos eram fios em suas mãos
Vai querer tirar do armário o velho violão
Vai notar que ainda falta uma canção" (Skank)
OS FATOS NÃO SÃO FIOS EM NOSSAS MÃOS, MAS SE VOCÊ PERDER A FÉ, NADA MAIS FAZ SENTIDO!