Será que a sorte virá num realejo...
Era perigoso estar tao perto assim de alguém.
Ela sabia.
Era um risco deixar transparecer em cada olhar, e em cada sorriso, e em cada beijo, e em cada gesto o que sentia, o que pensava e um pouco mais do que era e do que sonhava.
Era um perigo. Sabia disso.
E por isso tinha medo.
Nao medo q ele soubesse (até porque ele jamais saberia...).
(...)
Fora chamada certa vez à "decifra-lo".
Mas aos poucos, decifrava-se a si mesma, e encontrava em si delícas e surpresas diárias.
Era perigoso olhar-se no espelho com esses novos olhos que ganhara.
Olhava-se e via além das espinhas, e das olheiras de cansaço, e da barriguinha saliente, e das pernas finas, e das coisas boas de sempre, e sempre, e sempre.
Via com esses olhos novos, aquela pintinha escondidinha, e admirava-se por ser a única a possuí-la.
Admirava-se por amar de maneira tao entregue, e adorava a idéia de ser a única a amar com tanta intensidade, e a entregar-se tão completamente.
Encontrava-se em suas próprias marcas (corpo e alma).
Percebia-se livre, completamente livre. Dona de seu nariz, e de seus desejos, e intençoes.
Descobria-se. Simplesmente. Leve.
Tinha medo de quem era. De saber-se, enfim, mulher.
Todo mundo tem medo de saber-se tão humano assim.
(...)
Jogava-se - de certo jogava-se! - e dessa vez, esquecera de verificar se a corda estava bem presa (era mais certo q nao estivesse, e q a queda fosse iminente, mas disso, medo nao sentia!).
Tinha asas...
"...Amor sem sexo, É amizade Sexo sem amor, É vontade..."
- Postado por: Juliana Marques às 2h16 AM
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